Pediram-me que definisse o "amor",
que o explicasse,
que o resumisse...
Como se isso fosse possível!
Estaria a diminui-lo,
a atenuá-lo,
a abreviar quem ele é e o que é para mim.
Não que para mim seja diferente
do que é para o mundo,
eu é que com ele sou melhor...
Aí sim é que reside a diferença...
Pediram-me o defenisse,
que o esmiuçasse,
que o expusesse...
Se eu sou tu e se tu somos nós,
como poderia eu expor-nos dessa maneira?!
Estaria a cortar-te pedaços,
a desprezar-te os braços,
seria o maior dos embaraços...
Como te posso definir se és tu quem me defines?!
Se és tu que me constróis e embalas,
se és tu que me aumentas as saudades
quando estás ausente
e me diminuis em todas as tuas presenças de tão grandioso que és?!
Pediram-me que te definisse,
que te explicasse,
que te resumisse quando eu própria me resumo a ti,
sem explicação ou definição
senão aquela que exerces em mim,
senão aquela que os meus olhos gritam
quando me olhas e me tocas...!
(Texto e imagem da Angel Marta Morgado)

Sem comentários:
Enviar um comentário